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Mostrando postagens de setembro, 2022

O agente econômico não é autônomo nem moral

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Resenha crítica do capítulo 7 de Economia modo de usar: Reflexões sobre a racionalidade e a moralidade do agente econômico A discussão sobre o agente econômico trespassa o ambiente acadêmico, pois questiona um dos pilares da sociedade ocidental moderna: A autonomia do sujeito. Pode parecer que a dimensão moral do homem passe longe de um debate dos  acadêmicos de economia, acostumados a letra fria dos números das taxas de juros e câmbio, porém nem sempre foi assim. Ao definir o agente econômico nos moldes individualistas, e a partir desta definição derivar as consequências morais para a sociedade, a escola clássica e a sua herdeira escola Neoclássica, estabeleceram uma discussão moral basilar na teoria econômica. Se os indivíduos são egoístas e individualistas e buscam maximizar o seu prazer e bem estar, quais as consequências morais deste comportamento para a sociedade? A resposta da escola Neoclássica é paradoxal, todavia se tornou um dos clichês mais famosos e repetidos da teoria...

O caminho da servidão não é tão ruim

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Resenha crítica do capítulo 6 de Economia modo de usar: O debate econômico entre Keynes e Hayek   O contexto histórico exerce bastante influência nas teorias econômicas. Com os teóricos da escola austríaca não foi diferente. Hayek, um dos principais teóricos desta escola, cunhou o termo Caminho da Servidão para descrever como a restrição da liberdade econômica afeta também as liberdades individuais, dentre elas principalmente a liberdade política (BOURDREAUX, 2018): "Independente do método empregado, um governo que estiver determinado a proteger as pessoas de qualquer desvantagem de uma mudança econômica, exigirá poderes praticamente ilimitados de regulação e tributação." É óbvio que a interpretação Hayekiana foi bastante influênciada pelo contexto histórico da Guerra Fria. E que a metáfora do Caminho da servidão explica de maneira razoável os resultados obtidos pelos regimes Fascistas e Socialistas em meados do século XX, que rivalizavam com a democracia liberal à época, rep...

Valor-trabalho: O campo de batalha dos herdeiros da teoria clássica

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Resenha crítica do capítulo 5 de Economia modo de usar: Reflexões sobre a teoria clássica, marxista e neoclássica do valor   As escolas Neoclássica e Marxista são as herdeiras da escola Clássica. Todavia, isto não faz estas escolas convergirem com a escola clássica em todas as suas interpretações, sobretudo nas suas teorias do valor. Enquanto a abordagem de Adam Smith levava em conta que a riqueza produzida na sociedade é fruto da produção, abordagem levada as últimas consequências pela teoria Marxista, os neoclássicos, a partir das proposições de Marshall, irão focar no consumo como elemento principal da geração da riqueza, ao menos no curto prazo (CHANG, 2014): "Ela [escola neoclássica] enfatizava o papel das condições da demanda (derivada da avaliação subjetiva dos produtos feita pelos consumidores) ao definir o valor de um bem. Os economistas clássicos acreditavam que o valor de um produto é determinado pelas condições de oferta, ou seja, os custos da sua produção. Eles mediam...

Escatologia X Ingenuidade: Há mais de uma maneira de "fazer" economia

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Resenha crítica do capítulo 4 de Economia modo de usar: Reflexões sobre "o fim da história" na economia   As teorias econômicas, às vezes, dão a impressão de se alternarem entre previsões apocalípticas e previsões extremamente otimistas a respeito da racionalidade humana. Talvez, porque no princípio, a ciência econômica, ao rivalizar com a objetividade das ciências naturais, ainda não fosse tão cética a respeito do seu poder de previsão quanto hoje, e ignorasse o efeito do contexto histórico nas suas proposições. Isto fez a Economia alternar entre um pessimismo quase romântico em relação ao futuro do Capitalismo, e um otimismo execessivamente racionalista, por vezes conservador. Um forte exemplo deste pessimismo econômico teórico, são as previsões escatológicas surgidas naturalmente como consequência das proposições da escola clássica de economia. Uma destas proposições surge da análise Malthusiana do crescimento populacional, não há como negar a influência e o medo provocado...

Chutando a escada: Uma história econômica não convencional

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Resenha crítica do capítulo 3 de Economia modo de usar: Discussão sobre a importância do estudo da história econômica Em Chutando a escada, Ha-Joon Chang desmente, com auxílio da história econômica, alguns dos mitos econômicos propagados pelo senso comum (CHANG, 2003). Assim, ele justifica a necessidade desta disciplina como mediadora da validade das proposições das diferentes teorias econômicas (CHANG, 2014):   "A história também nos obriga a questionar alguns pressupostos que tomamos como certos. Uma vez que você fica sabendo que muitas coisas que não podem ser compradas e vendidas hoje — como seres humanos (escravos), trabalho infantil, cargos no governo — costumavam ser perfeitamente vendáveis, você para de pensar que os limites do “livre mercado” são traçados por alguma lei eterna de ciência, e começa a ver que eles podem ser redesenhados. Quando você aprende que as economias capitalistas avançadas cresceram ao ritmo historicamente mais rápido entre as décadas de 1950 e 1970,...

O quebra-cabeças de um bilhão de peças

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Resenha crítica do capítulo 2 de Economia modo de usar: Hayek e a teoria do mercado como ordem espontânea   No livro Menos estado e Mais Liberdade, Donald Bourdreaux descreve que em meados do século XX, o economista Friedrich Hayek já se maravilhava com a lógica do sistema de preços do modo de produção Capitalista. Para esta descrição ele utiliza a analogia de um quebra-cabeça muito complexo com um bilhão de peças: A complexidade do “quebra-cabeça” e seu elevado número de peças explicaria, por exemplo, a ineficiência do planejamento central soviético em regular a economia e a inevitabilidade do colapso do sistema socialista da URSS. Pois, seria necessário que o planejamento central pudesse “saber“ a todo momento as preferências de cada indivíduo, de modo a garantir a melhor alocação possível de recursos (Isto equivale a um quebra-cabeça complexo e com muitas variáveis); o que em teoria o sistema de preços já faz de maneira automática e eficiente em uma nação “economicamente livre”...

A fantástica fábrica de economistas

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Resenha crítica do capítulo 1 de Economia modo de usar: Uma discussão sobre o objeto de estudo da economia   Na versão de 2005 do filme A fantástica fábrica de chocolate, o Sr. Bucket, pai de Charlie, perde o emprego de apertador de tampinhas de tubos de pastas de dentes, pois alguém inventou uma máquina capaz de fazer o mesmo trabalho cem vezes mais rápido (CHANG, 2014). Certamente alguém, se valendo do economês, apontaria neste caso os conceitos de alienação, da exploração do capital sobre o homem e da lógica perversa do Capitalismo. Outro talvez apontasse que no longo prazo a sociedade se beneficiaria como um todo com o aumento de produtividade, com mais opções de produtos a preços mais baratos. Todavia, ambos concordariam que este problema se trata de um problema econômico. — Mas afinal, porque este seria um problema econômico? O que define um problema como econômico? — Este é um tema central da introdução a teorial econômica , e pode ser resumido em uma única questão: Qu...

A minha cápsula do tempo em 2019: Sobre quando cursei economia na UFPA

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Dando continuidade à série A minha cápsula do tempo , eu tomo a liberdade de compartilhar com o leitor amigo a reprodução de alguns textos que eu precisei desenvolver para a disciplina de Introdução à teoria econômica , em 2019, quando eu cursava economia na Universidade Federal do Pará (UFPA). — Sim, meus caros. Eu cheguei a cursar menos de um semestre de economia durante o ano de 2019. Tudo isso enquanto eu fazia o último ano do curso básico de violão clássico, no conservatório Carlos Gomes, aqui em Belém, e de tarde eu trabalhava na minha tese de doutorado em Geofísica, na pós-graduação em geofísica da UFPA. Eu passava o dia inteiro fora de casa, e cursava economia no período da noite. Era uma rotina extremamente exaustiva e, em pouco tempo, eu adoeci e desisti do curso. — Eu cheguei a assinar o protocolo de desistência do curso ardendo em febre e tossindo muito, para vocês terem uma idéia! Mesmo assim, alguma coisa restou desta insensata aventura — As resenhas críticas sobre alg...