A minha cápsula do tempo: Textos mórbidos demais para permanecerem no passado
Hoje eu quero aproveitar a oportunidade propiciada por esta série de textos, A minha cápsula do tempo, para falar sobre um tema que causa arrepios a todos aqueles que são amantes da vida, assim como eu: Eu quero falar sobre a morte. — Sim, leitor. Eu vou escrever sobre esta questão que, segundo Camus, é o único problema relevante da história da filosofia.
Todavia, eu me recuso a contruir um ensaio filosófico sobre o tema — Deixemos isto para os filósofos hábeis, como Camus — Por isso, eu optei por contrastar a visão que eu tinha sobre a morte na minha juventude com a visão que tenho agora, depois de adulto. Eu farei isto através do contraste entre os meus escritos das duas épocas.
— Vocês irão ficar surpresos com o quanto me tornei pessimista. E certamente irão também me acusar de niilismo, leitores ingratos! — No entanto, eu quero levar vocês à esta reflexão: ao choque entre a perspectiva otimista de um jovem, que acredita que pode viver para sempre, e o adulto de 30 anos, que encontrou a flor amarelada da hipocondria brotando em seu jardim.
E agora vocês estão acusando a minha contradição. — Como pode se dizer "amante da vida" alguém que tenha criado uma casca tão pessimista em torno de si? — Vocês olharam para o meu abismo e ele lhes olhou de volta, leitores amigos. E então, eu faço como Zaratustra e grito "Nojo, nojo, nojo", ao perceber que a minha doutrina foi corrompida. No entanto, para os poucos de vocês que me compreenderem e agirem tal como os leões risonhos eu oferecerei a minha águia e a minha serpente. — Um sorriso frágil aos poucos desponta no meu rosto, pois meus filhos estão próximos...
Como sempre, eu deixo o link para o texto original do blog Café e Rodoxina, para todos aqueles que sentirem a necessidade de conferir os textos na sua forma primeira:
Dia de finados, texto original do Blog Café e Rodoxina, em 2 de Novembro de 2009.
Os textos a seguir são versões modificadas e corrigidas do conteúdo original.
Dia de finados
Modificado a partir do texto original do blog Café e Rodoxina, publicado em 2 de novembro de 2009.
Meu diário, em 19 de Junho de 2022
Amanhã é um grande dia de felicidade! Pois, amanhã será o dia do nascimento do meu terceiro sobrinho, Ro. Estamos preparando a casa da Re., minha irmã, para recebê-lo — Minha mãe está — E espero que tudo ocorra bem no parto.
Eu reluto em contrastar vida e morte nesta página. Mas há um acontecimento que eu preciso registrar aqui devido a importância da reflexão que me causou: A morte de I. M., colega do curso de pós graduação em geofísica da Universidade Federal do Pará (UFPA), no auge dos seus 28 anos de idade.
Eu fui surpreendido por um áudio de R. C. no Whatsapp, outro colega da pós graduação, no nosso grupo de debates políticos e memes. A voz dele parecia bastante emocionada ao comunicar um falecimento tão prematuro. I. descobriu um câncer e, infelizmente, o tratamento de quimioterapia não funcionou adequadamente. O câncer avançou e se espalhou, causando a morte dela pela manhã do dia 8 de junho. — Eu demorei cerca de uma semana para conseguir escrever sobre isto no meu diário, caro leitor.
Eu acredito que não há nada mais enigmático nesta vida do que a morte de uma pessoa tão jovem quanto I. Isto sempre me desperta para um grande Porquê. Qual o sentido de uma vida interrompida no seu auge? Uma vida que poderia ser plena, bem vivida e cheia de realizações, como era o caso desta moça. Qual o sentido de morrer justamente no período de maior alegria da sua existência?
Eu não a conhecia tão bem, mas mesmo assim a morte dela me abalou e me deixou neste estado de reflexão. E também me fez fazer a relação com outros casos do mesmo tipo: A morte dos Mamonas Assasinas, por exemplo. Uma banda de jovens, no auge da carreira, morreram de repente em um acidente de avião. No momento que deveria ser a consagração, a justificativa última da existência deles, eles morreram. Todo aquele esforço em vão, desaparecido em um grande vazio...
Recentemente, tivemos o caso do digital influencer Jesse, que largou tudo para viajar pelo mundo com o seu cachorro Shurastey. Ambos morreram em um acidente de carro nos Estados Unidos. O fusca de Jesse ficou amassado igual a uma lata de sardinha. Oque era a felicidade para Jesse o levou à morte prematura. — Como viver com este grande ponto de interrogação na cabeça, caro leitor?
— Mas não sejamos tão niilistas, leitor amigo. Pois, amanhã é o grande dia do nascimento do meu sobrinho. Amanhã é o dia de celebração de mais uma vitória da vida sobre a morte!

Comentários
Postar um comentário