A minha cápsula do tempo: Repostando alguns textos da minha juventude

É engraçado como o tempo passa rápido e como nós estamos sujeitos à sua ação. Eu imaginava que o deus Kronos devorava os seus filhos depois de longos anos de vida, quando os cabelos grisalhos começam a povoar a cabeça — Eu não poderia estar mais errado, caro leitor. O tempo me devora todos os dias! — Quando me deparo com os escritos da minha juventude, eu percebo o quanto eu mudei, a ponto de não me reconhecer mais nos meus próprios escritos!

Mas, felizmente, eu tive a audácia e a esperteza de desafiar este grandioso titã criando a minha própria cápsula do tempo — Os meus escritos da juventude — E eis que eu me levanto, tal como Ozymandias, a enfrentá-lo face a face: "Contemplai as minhas obras, ó poderosos e desesperai-vos!". Está cápsula do tempo é uma forma simples que eu encontrei de empacotar o presente para o futuro de modo que eu possa revisitá-lo sempre que eu quiser — e precisar.

Em 2009, eu criei o blog chamado "Café e Rodoxina" onde publiquei uma sequência de textos mal escritos, mas que representava muito do modo como eu pensava na época. Hoje, revirando o passado nestes textos mofados, eu consigo contemplar a imagem do garoto imaturo e pouco letrado que eu era, no auge dos meus 17 anos. Um garoto cheio de certezas e frases feitas. Esta é a forma que eu encontrei de abraçar aquele garoto e de compreendê-lo.

Eu optei por realizar alterações no texto original, pois este possui trechos de difícil compreensão, construções complicadas dos argumentos e erros de ortografia. Porém, se o leitor achar interessante ler os textos na sua forma primeira, eu deixo o link a seguir: Blog Café e Rodoxina.

— Então, agora é hora de embarcar na nossa máquina do tempo e retornar aos anos 2009! Apertem os cintos, caros leitores. E façam uma boa viagem...

A Teoria do gato flutuante

Modificado a partir do texto original do blog Café e Rodoxina, publicado em 28 de novembro de 2009.

 

 

EUREKA!!! Eu acabo de descobrir a teoria que pode revolucionar o mundo da física! Então, preparem-se leitores. Pois, não é todo dia que o meu ego dá lugar ao meu "Einstein interior" e transforma, diante dos seus olhos, o universo conhecido.  Esta é a minha revolucionária teoria que surgiu como tudo na física e na ciência, baseada em alguns aspectos ideais nem sempre aplicáveis na prática. Porém, desconsiderando pequenos incovenientes naturais, está é perfeitamente factível e possui aplicações práticas muito vantajosas para a humanidade.

Eu comecei salpicando um pouco de desprezo pelo atrito em um plano perfeitamente liso —como o meu bolso de estudante do ensino médio — e, supondo que o tempo e espaço são relativos; denconsiderando a resistência do ar; supondo também que toda a energia mecânica do sistema se conserve; eu terminei por concluir que as minhas conclusões se conservarão durante muitos anos.

— Mas permaneça calmo, leitor impaciente. Você não precisa ser nenhum Arquimedes para entender as minhas idéias, aí vai a teoria...

Esta se baseia em dois postulados:

  1. As torradas sempre caem com a face que contém manteiga voltada para baixo.
  2. Os gatos sempre caem de pé.

 Agora, submetemos a teoria à uma "moderna" experiência:

Colocamos, amarrado nas costas de um gato, uma torrada de massa desprezível só não é desprezível para quem está com muita fome em alguma região da Somáliacom a face amanteigada voltada para cima. Depois, submetemos o sistema (torrada + o coitado do gato) a uma queda livre (o gato não escolheu pular!) de um prédio de 15 andares. E, supondo que a torrada tende a cair com a face amanteigada voltada para cima e que o felino cairá de pé, surgirão duas forças em sentidos opostos que se anularão. Logo, podemos concluir que o gato flutuará.
Estas conclusões em breve trarão resultados experimentais bastante apropriados e talvez eu consiga o prêmio Nobel — ou "Ignóbel"? — e, em um futuro próximo, nós poderemos usar os gatos para lavar as janelas dos apartamentos da madames. Assim, nossas empregadas não serão expostas a tantos perigos por um salário mixuruca.
 
O problema das conclusões deste experimento é que inúmeros outros questionamentos surgiram. Ontem mesmo, um colega de laboratório me perguntou: — O gato fica em equilíbrio por anulação de forças ou por que o momento resultante é zero?

— Então, eu respondi da forma mais coerente já formulada na física: "Meu caro, tudo é relativo e depende do referencial".
 

Continua ...

Comentários