A minha cápsula do tempo: Sobre quando uma criança resolveu brincar com o martelo de Nietzsche

No Genealogia da Moral, Nietzsche demonstra como os Escravos e os Sacerdotes se reúnem na sua vingança contra os Fortes: Os Escravos, cansados da vida, fracassados e ressentidos, desejam descarregar o seu ressentimento em um culpado. Os Sacerdotes, por sua vez, oferecem aos Escravos um culpado para que estes possam descarregar o seu instinto de vingança. Seja ele a burguesia, o mundo, a carne e etc.

Hoje, na série de textos A minha cápsula do tempo, eu quero compartilhar um escrito da juventude que revela todo o ressentimento que me consumia nos tempos de mocidade. Este texto, publicado originalmente no blog Café e Rodoxina, foi intitulado de Nostalgia. Mas hoje me parece o grito de desespero do jovem fracassado que eu era. Todo o meu ser desejava descarregar o meu ressentimento em algo ou alguém.

Esta é a minha justificativa para um texto tão desconexo e repleto de clichês, caro Leitor. Quando jovem, eu segui de maneira singular o método de Nietzsche: me tornei uma metralhadora giratória, pronto para destruir qualquer ídolo com as minhas marteladas! Todavia, no fundo eu estava expressando o meu enorme desconforto com a posição em que eu me encontrava na época. Eu era um jovem de classe média baixa, sem perspectivas futuras e com medo de tudo. E, por sorte do destino, eu havia descoberto o meu primeiro amor, e não estava sabendo como lidar com todas as inseguranças da primeira relação amorosa.

Enfim, nada melhor do que o medo e o ressentimento para erigir uma moral...


Nostalgia

Modificado a partir do texto original do blog Café e Rodoxina, publicado em 28 de novembro de 2009.


É realmente intrigante esta nostalgia que nos aflige a cada fim de ano. Me parece que o nostalgico está intrinsecamente ligado a nós que possuímos mais lembranças boas do que enfadonhas.


Entretanto, hoje, uma daquelas reportagens banais, típicas dos programas "sem sal" dos fins de semana, me fez refletir bastante. Era uma daquelas reportagens sobre milionários que gastam milhões em sapatos, bolsas Chanel, diamantes e jóias.


O mais engraçado é ouvir dos telespectadores
alienados, que só estão esperando que o jornal termine para se deliciarem com esses BBBs da vida, que esse é um mercado que movimenta muito dinheiro e gera empregos. Será que eles perderam o juízo em meio a nuvem de fótons da telinha?


Eu não entendo muito de economia, mas eu sei que o dinheiro dos poderosos se mantém entre os poderosos. O desperdício de milhões em futilidades não pode ser
classificado apenas como uma simples extravagância ou excêntricidade ignorância e falta de empatia, talvez.

Eu sei também que eu vou continuar aqui com a minha nostalgia ingênua. Entretanto, eu não trocaria o meu amor — Sim, eu estou amando, caro leitor! por nenhuma dessas modelos anoréxicas e gastadeiras. E nem a minha varanda na periferia de Belém por paisagem nenhuma de Paris, ou dessas cidades cheias de glamour e gás carbônico. Muito menos o meu espírito papa-chibé por essas comidas "escargolizadas".


Enfim, talvez seja isso que chamam de "crise de meia idade" (por causa da nostalgia). Quem sabe eu tenha nascido realmente para ser pobre mesmo. Ou ainda, talvez seja isso que falte àqueles que saem nas colunas sociais dos grã-finos e que lhes causa tanto riso
— Um pouco de humildade. 

Comentários