A minha cápsula do tempo: Repostando textos dos quais eu não me orgulho
Dando continuidade a série de textos A minha cápsula do tempo, na qual eu reposto alguns textos da minha juventude publicados no blog Café e Rodoxina, lá pelo final da primeira década deste século. Aqui vai um texto que eu não me orgulho de ter publicado por causa do seu caráter um tanto misógino.
O leitor atento até me perdoará os já costumeiros erros ortográficos e as construções argumentativas pueris destes escritos. Todavia, este certamente se perguntará sobre o porquê de repostar este texto aqui, não seria melhor deixá-lo no passado?
— A questão, caro leitor, é que eu me recuso a ser parcial com quem eu era. Eu não posso agir de modo a amputar a imagem daquele garoto para fazê-la caber no leito de Procusto! Eu preciso me apresentar por inteiro, mesmo com todas as contradições da minha juventude.
— Toda vez que isto acontece, quando as minhas memórias começam a me assombrar e a revelar todo o ressentimento que me consumiu na mocidade, começa a vir à minha mente a frase de Bentinho em Dom Casmurro:
Aí vindes, outra vez, inquietas sombras?
Tô cansado de comer fruta!
Modificado a partir do texto original do blog Café e Rodoxina, publicado em 2 de novembro de 2009.
— Eu não aguento mais!
É fruta de todo o jeito. É mulher melancia, mulher pêra e mulher jaca. E o pior é que não basta ter nome de fruta, tem que também saber dançar o Crééuu — Créédo!
Dá até vontade de rir. Afinal, quem não gosta de uma mulher acéfala, vestindo roupas minúsculas e que deixam as partes avantajadas de fora. — Bem que estas me lembram frutas mesmo, um belo par de melões! Uma verdadeira feira!
E é neste ponto que eu queria chegar, caro leitor. Você não ficaria irritado se, após meia hora na fila do supermercado, a suculenta maça que você fosse degustar ainda não estivesse madura? Somente a bonita casca vermelha, para causar uma boa impressão. — Onde foram parar as mulheres com conteúdo?
Pois é assim que eu me sinto ao ver a mulher moranguinho. — tem o nome de fruta e ainda tem o "inho" no final, para fazer eco nos cabeças de vento — Se bem que estas críticas serão mal interpretadas por aqueles que sonham em poder "comer" destas frutas cheias de "agrotóxicos", academias e lipoaspirações, sem antes ganhar na loteria ou se tornar um jogador famoso. — Ah, é por isso que dizem que a fome é um problema de distribuição de renda!
— Mas eu tenho certeza que você, leitor esperto, não irá cair nesta armação alienadora, típica dos aculturados. Estes que ainda não estão saturados de escutar as canções melosas dos MCs e do "bonde dos ignorantes". Os que já tem o seu gosto musical atrofiado, por causa da sua própria passividade em aceitar a cultura já mastigada dos movimentos de massa.

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